terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Incertezas


Já não posso as lágrimas conter

que correm livres em minha face

por tantas vezes aflitas.

Não há, pois, nada que possa fazer

seja para melhorar ou mitigar

a dor sem culpa a me consumir,

como meu amor tão ardente

sempre a ti, esperar.


E já as letras tão confusas,

pois nova lágrima brota

anunciando esta tristeza

tão profunda quanto meu pessimismo.

E se mesmo por tudo

ainda assim estiveres bem

é o que me importa,

mesmo que aos cacos eu esteja.

Apenas vivendo sonhos

onde tudo mais simples fosse,

perfeito, ideal, sem monstros ou sombras

que carregam nossa alegria,

nossa luz e nos deixam esta agonia.

Não posso levar-te lá,

apesar de estar sempre presente.

Parte de minha alma já contigo vive.

Sofrendo com a tua.


Já não quero mais pensar,

apenas deixar estar,

Junto a ti e o tempo ver

Aonde nos levará.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nossa história


Certo dia...

Luz dos teus olhos,

iluminaram os meus.

Som da tua voz,

por mim ouvida.

Jeito misterioso,

curiosidade despertada.

Conversas tão vagas,

não apenas por falar.

Tato de tua pele,

no mais puro toque.

Maciez de teus lábios,

no beijo apaixonado.

Abraço apertado,

desejo ardente,

em mim incendiava.

Discussão motivada,

por tanto lhe querer

Teu corpo no meu,

na busca por prazer,

intensamente alcançado.

E a ti o querer,

sempre comigo,

confortar tuas angústias,

satisfazer-te,

estar contigo,

amiga, companheira.

Vivendo a felicidade

de bons sentimentos,

do amor que se pode cultivar.

Dure o tempo que precisar.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A dor

Quando a dor retornar
Por não por completo se curar
E suas lágrimas segurar não puder
Nada melhor do que deixá-las fluir
Em busca de se refugiar ou aliviar
Não podia seu desespero diminuir
Coisa alguma para se libertar
Menos de sua dor que do próprio sofrer
Sem desejos a fazer
Nem lhe faria melhor amar
Bem não podia estar
Ninguém a ajudar
Tentava suas loucuras ocultar

Ainda era só sua noite de angústia:
escutando o som de sua tristeza
percorrendo sua face
consumindo seu corpo
dilacerando suas entranhas
amargando sua alma
querendo se entregar
chorando por si, consigo mesma.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Menina

Menina não vá de novo
Continua comigo aqui
Nessa noite até o frio
Em meu peito seu nome chama
Para com seu calor aquecer
meu corpo perdido
Sem você.

Não posso ouvir nossa música
Sem querer ir buscar-lhe
Onde esteja, com quem for
Para com você reviver nosso amor
Pois o tempo já não é o mesmo
Apenas com você existem segundos
Não consigo mais sozinho
Vem, preciso de você aqui.

Fica nesse sonho bom que eu tenho
Sempre de olhos abertos
Já que tudo sem você é nada e pesadelo
Quero seu cheiro e sua pele
Você completa em um abraço
Sentir seus lábios no mais demorado beijo
Sabe que não assim
nosso amor devia ter acabado
Por isso peço, volta pra mim.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mais um ciclo

Vem e em mim enxerga
As caladas palavras
Quero amar-te como jamais pude
De tanto querer, deixar-te-ei
Porque se a mim não te entregas por total
Então ter-te já não posso
Pudera fosse mimo
Mas é meu desejo não contido
De por completo possuir-te
Em meus braços ter...
Acalmar tuas angústias e sofrimentos
Deitar ao teu lado sentindo o silêncio
Ou dizendo mudas palavras surdas
Ouvir teu sangue pulsando
Viajar a fundo em teus olhares
Buscar nossos sonhos que se vão
Em meio ao caos diário
Perdidos no tempo e no espaço
Pertencentes apenas a ti e a mim
Pois, bem, é esse meu querer
Que não se satisfaz
Deixando-me à beira da loucura
Querendo abandonar
Por tanta sede de amar
Obsessivamente
Como sou
E gostaria que fosses
De tanta imperfeição
Busquei a perfeição
Jamais encontrada
Mais avulsa que eu
Quando junto a ti
Não me entendas jamais
Para não sofrer mais que sofri
Outrora não por ti...
Entendo a angústia
Mas sei, da tua vida
Devo partir...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entrega

Novamente, eis me aqui
Pela décima vez
Morro só
Lentamente
Deliciando teus lábios
Enquanto meu sangue
Percorre o caminho
De radial ao inferno
Na loucura de por ti
Que se poderia ter
Sofrer na mais bela morte

Na volúpia dos meus olhos
Que se fez por ti
Agora apenas a escuridão
Tendo-te negado por não ter
Sua alma por completo
Queria te-la bebido
E sugado tua vida
Para que fosse junto a minha
Unir-se ao fluido vermelho
Que se esvai de mim
E se me negou tua entrega
Que é o fim de todos
Entrego-me tão somente
Ao nada
Onde nem a niguém
Não espero-te

Ciclos, se repetem
Tudo, da mesma forma
Exceto a dor
E o êxtase, de morrer
Devo livrar-me, das promessas
Dos desejos e medos
Sendo assim, feliz

Não me tiveres, porque não quisestes
Já não posso mais suportar
Que ressoam ao longe
Os gritos em mim
E de lá me chamam
Querendo resgatar-me
No qual em algum momento
Naufraguei, oceano negro
Seja lá qual for
é agora que me realizo
sem pedir que me compreendas
nem que me ames

Dei-lhe minhas mãos
Quisestes atá-las longe de ti
Já não sofro
Que compus por magia
Apenas ouço a canção
Em meus nada lúcidos pensamentos
E se as cores desbotam
O sangue ainda está vivo
Que acelera tentando resgatá-lo
Serpenteando para longe de meu coração
Deixe que vá
Com ele, minhas loucas lágrimas
Tão puras quanto imundas

Pela última vez,
Limpo-me do amor
Despida do encanto que poderia revesti-lo
Que busquei em teu olhar
Em busca da paz
Mas que só posso encontrar
Na doçura de meu próprio corpo
Pálido e frio
À beira do leito
Perdendo o mundo
E ganhando sua própria vida
No encanto de adormecer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O início

Tudo podia ser um eterno início. Sim, cada dia é um novo dia. Mas coisas repetidas a cada dia cansam, e os dias se tornam enfadonhos. E ter um motivo pra sorrir é muito bom, porque esses dias podem se tornar novos. (Viu, como dias, dias e dias, são chatos?). Sempre teria algum motivo pra sorrir, mas um era especial. E as palavras que ele lhe dizia, seus gestos e seus olhares já eram suficientes pra deixá-la confortavelmente anestesiada, mergulhada no seu humor próprio.
E nos momentos em que se deixava adentrar nas profundezas dos seus olhos, às vezes sentia que estava tão longe quanto não poderia mais voltar. Achava que seria realmente árduo o caminho de volta, e esperava não ter que fazê-lo tão cedo, pois preferiria continuar se perdendo, indo mais fundo o quanto pudesse, mas não queria se afogar ou cair de modo que não pudesse levantar. E assim, com medo, prazer e curiosidade, simplesmente deixava-se ir, guiada pelo que de bom sentia naquele momento. Seja lá que palavra usasse pra descrever o que sentia, era algo muito delicioso de se sentir. Podia ser mais um dos seus vícios, com todos os riscos que isso pode representar, e olha que já tinha tantos outros. Sim, seus beijos se tornariam mais um. Pelo menos no início, assim lhe parecia.
Tivera outros inícios, bons, momentos de êxtase, mas nenhum caminho a fez se perder de modo intenso o suficiente que fosse incapaz de voltar ao ponto de partida, talvez um pouco mais desconfiada, magoada, sensível, mas voltara e ali estava, novamente, indo a lugar nenhum. Não sabia aonde ele poderia a levar. Também não fazia questão de saber. Mas gostaria de um acordo. Algo que o fizesse prometer que não a faria sofrer. Porque queria continuar assim, sentindo amor, paixão, admiração, carinho, respeito e não o oposto. E triste seria se isso se invertesse. Seria uma grande perda. Não queria de forma alguma outra perda, não desta vez, não ele, que foi a melhor coisa que poderia ter lhe ocorrido nos tempos em que estava. Momentos de crise e de rebeldia...
Tantas palavras ainda podiam ser ditas, coisas que não queria revelar a si mesma. Talvez lhe revelasse algum dia. Um dia ruim, iluminar-se-ia com palavras mágicas, na medida certa, pois falar demais é um problema, e o silêncio pode dizer muito mais. Porque conseguir ficar em silêncio é uma dádiva, pouco compreendida. Quem não tem intimidade com a ausência de som, se constrange com ela. E por compreender o silêncio, ela podia lhe ouvir por diversas outras formas e fazer-se ouvir. Há tantos outros ruídos, em nossa mente, e há tantas palavras, também nela, que precisam ser escutadas, sem ser ditas. Elas fluem de alguma outra forma. Quando não conseguem, aí sim, é melhor dizê-las. Ela não precisaria lhe dizer que ficasse, ou o que queria, já estava bem claro. E ele podia ouvi-la, senti-la, compreende-la e levá-la...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Grande Amor


Dessa vez era verdade, ela estava amando. E descobriu seu amor assim aos poucos. E era por isso que sempre sofreu tanto. Porque antes achava que estava amando algo, enquanto na verdade seus amores eram muitos. Sua vida cheia de tarefas e de tantas pessoas. E no meio de tanta coisa ela amava intensamente seus momentos de êxtase, que poderiam ser quaisquer, mas muito especiais, fortes e duradouros em seus brevíssimos instantes.
Amava aquela figura projetada macia na parede, o recado inesperado, a cor cintilante cheirando rosas, o doce som da voz daquela pessoa, o gosto de chocolate, um toque apenas, o olhar de relance, olhares com aromas diversos, a brisa cheirando flor que se abre à noite quando estava indo, e música que embalava seus movimentos tão seus em meio a outros, e ao vir depois, mesmo certas dorzinhas, ela amava. E queria mais disso tudo de novo. Porque nisto estava sua razão de viver. E então viveria fazendo coisas “maiores” que gostava também, mas o que amava de verdade, eram os detalhes. Estava feliz, e calma, mas angustiada e nervosa. O que sobressairia dependeria de seus momentos, mas ela era isso tudo de uma vez só, e sentia tudo misturado, de modo que perdia-se em si mesma e já não podia se encontrar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Encanto da Rosa


Todos os dias ele vinha regar suas flores. Não que fosse um jardineiro dedicado, mas simplesmente porque queria vê-las, sentir seus aromas e claro, falar-lhes um pouco. Podia ser um pouco solitário, daquele tipo que se isola na multidão, mas que pode perfeitamente socializar quando quisesse. Não que fosse chato também, mas para alguns talvez. Quem o conhecia sabia de suas grandes qualidades, apesar de que um de seus defeitos era ser individualista e deixar isso bem claro por vezes diversas. Não era lindo, do tipo que todas caem-lhe aos pés, mas tinha algo.
Alguma coisa em si o fazia deveras especial para uma de suas rosas. Talvez o jeito como a admirava, talvez seu toque macio, sua fala grave, seu cheiro tão seu, sua perspicácia. Havia inúmeras razões possíveis pelas quais ela nutria imensa admiração e encanto por ele, sejam quais forem as ignorava por completo, e assim só sabia esperar o momento em que ele viesse.
Tentava o impressionar de diferentes formas. Era uma rosa linda e cobiçada. Parecia que tudo o que tentava para chamar a atenção dele, atraia os olhares de quem passava lá fora e a via no jardim. E os olhos buscavam-na, queriam arrancá-la da terra, tomar posse, já que não havia ninguém por perto. Ela se sentia tão dele, mas não conseguia evitar os demais. Gostava sim de chamar atenção, de ser vista, de virem sentir-lhe o cheiro e admirar suas pétalas. Mas jamais esquecia dele, apesar de que na sua ausência não poderia deixar de ser simplesmente, rosa. Era um dilema terrível, e ao mesmo tempo bom. Queria deixar de ser coisa e passar a ser dona, dona dele. Mas era uma rosinha tímida no seu canto, que não iria fazer nada, a não ser esperar ele vir regá-la e contar-lhe coisas, muitas das quais dizia para que todas as demais rosas ouvissem também.
Para ele eram todas flores de formatos e cores diferentes. Sabia o nome de algumas. Umas lhe pareciam mais belas, tanto que sua vontade era pegar-lhes pelas hastes e levar consigo. A pequena rosa vermelha se destacava entre as demais. Sentia-se a vontade estando perto dela. E por isso vinha, todos os dias. Não por ela, que não era mais especial do que as outras. Era simplesmente rosa e gostava dela, como das demais.
Ela queria ser especial. E queria que ele fizesse um jardim só para ela. Que a admirasse a sós, longe das demais e dos olhares alheios. Se assim fosse, prometeria ficar quieta. Seria difícil, mas tentaria em nome do amor que sentia.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Por aí...

Estava caindo do alto de lugar nenhum. Tudo girava tão distante de si. Ia se debatendo em direção a um mar negro. E assim a escuridão era tudo que podia ver. O ar que o sufocava era a confusão de sua mente. Porque estava tudo tão desorganizado e ele era tão impotente, como uma formiga em meio a um tornado.
Era tão inútil estar assim. Não precisava estar, mas não podia não estar, porque não sabia como sair dali. Não iria morrer, quanto mais viver, pelo menos enquanto não buscasse sua força(?!) capaz de libertá-lo.
Poderia entregar-se à resignação de (não)-viver dessa forma. Quem é que pode viver sempre caindo? Não deveriam as pessoas voar e subir aos céus buscando seus sonhos em algum lugar? Porque sentia-se cada vez mais distante de seu céu? A paz que não encontrara não conseguia ainda visualizar. Apenas fumaça cinza do ar que expirava era (in)-visível.
Seus gritos não ecoavam porque não lhe saiam garganta afora. Não adiantaria gritar a ninguém. Caia só, sendo observado através de vidros opacos distorcendo a realidade do que lhe ocorria. Quem o via distante, sorria-lhe, seus risos amarelos de hipocrisia, que o forçavam mais pro fundo do seu nada.
E caia... em chamas, despedaçando-se, derretendo-se, desconfigurando-se até que perca de vez sua identidade e mergulhe profundamente. Perdendo-se a si mesmo, tentando encontrar um novo eu e emergir das próprias trevas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Poeta


Ele era o que tinha de ser.
Seus pensamentos voavam soltos ao ar.
Era um poeta que não escrevia poesias,
apenas porque não sabia rimar.
E por mais palavras belas que lhe vinham,
colocá-las no papel não ousava.
Não de qualquer jeito.
Algo faltava,
mas sentia que não era tão vazio assim.
Talvez não tinha o dom
de conjugar o verbo amar, e dessa forma seus poemas fazer rimar.
Tarefa árdua a qual não se dedicava.
Com seus fantasmas e suas desilusões ficava.
Dia após dia esperando,
a caminhar pelas curvas,
rumo ao seu próprio coração.
E lá estava ele ensimesmado novamente.
Numa cortina de nuvem cinza. Não que ele fumasse, mas estava no meio dela. E não podia enxergar ninguém, nem a si mesmo.
Tão ébrio, por mais que não pusesse uma gota de álcool ou outra substância em sua boca. E seu mundo girava, as coisas passavam. Mas onde? Não estava vendo. Talvez estivesse perdido em uma dessas andanças pelo seu sombrio interior.
Melhor seria sair dali.
Mas pra fazer isso só se morresse,
afinal não poderia livrar-se de si.
E nem sonhar podia, tão perturbado com seus pesadelos,
espectros de medo, chicoteando-lhe a face.
Ajoelha-se, não pra pedir perdão, mas porque já não consegue de pé manter-se.
Não pode voltar,
nem ir,
nem parar.
Poderia na sua nuvem sumir?
A uma outra dimensão sublimar?
Definitivamente não.
Precisava sim levantar...
a caneta, e algo no papel colocar.
Deveria, desse modo, da escravidão de si libertar.
Aceitar-se com fracassos ou vitórias,
rimas pobres ou ricas.
E assim escreveu:
Jamais derrama lágrima
Ama a luz em ti
O suor agora queima
A face que parti
Sem importar-se com as palavras em si, mas com seu conteúdo e suas relações semânticas, deixou sua mensagem a quem quisesse ler, ouvir ou ver em seus olhos, mais que nos próprios versos deitados ao papel...pois agora estava liberto.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Vida


Estava parada dentro do carro em movimento. Não sabia o quão longe iria sua viagem. Poderia se mexer, claro. Mas seria inútil. As coisas se moviam lá fora tão rapidamente. Passavam os outros carros com seus motoristas, as faixas da estrada, as paisagens e seus animais. Era o universo que se movia. Então algum movimento seu seria irrelevante, nada comparado a tudo ao redor. Aliás ela era nada ali dentro daquele carro indo sabe-se lá aonde. Todos se movendo, mas ela quieta, apenas dirigindo.
Jogaram-na estrada afora em alta velocidade. Não lhe perguntaram se queria. Teria que se desviar dos obstáculos, dos barbeiros, dos bichos, enfim, de tudo que surgisse a sua frente, fosse sol, chuva, noite ou dia. Até chegar a sua última parada. Dirigia em direção a um abismo. Todos, como ela, dirigiam para lá. Alguns pegavam atalhos, outros freiavam e ficavam no acostamento, uns preferiam dar mais voltas e voltas antes de chegar, mas enfim todos chegavam a lugar nenhum, passassem por onde haviam passado. Porque para ela isso era o que havia lá no fim, nada além. Ela mesma certa vez tentou freiar, mas foi tão difícil que desistiu e seguiu sua viagem.
Tantos lugares por onde passar e retornar. Não havia ido a tantos assim, mas já tinha certa bagagem acumulada, adquirida a cada quilômetro que rodava. Não podia parar e descarregar seu carro, então elas iam se acumulando ali no porta-malas. Algumas ficavam mais escondidas conforme novas iam chegando. Cada qual com seus segredos, experiências, amores, frustrações, alegrias, tristezas, sonhos realizados ou não. Todas ali, bastaria procurar que as acharia, caso algum dia precisasse.
Viajava sozinha porque não queria mais tentar ir com ninguém. Não naquele momento, quem sabe depois de rodar mais e mais, talvez pensasse na possibilidade. Algumas vezes tentou, mas não deu certo. Podia até ter outro carro pra brincar ao longo da viagem, tirar um racha. Não que ela aprovasse coisas assim, mas só dessa forma para não ficar sozinha. Melhor seria brincar mesmo, porque aí quando cada um seguisse seu rumo não iria ficar triste, pois logo acharia outro para um novo racha.
Olhou pelo retrovisor e viu que alguns faróis a seguiam. Estavam na mesma estrada. Bom, não estava tão só quanto imaginava. A noite era escura e fria. Sabia que o dia seria claro e quente. Ficar quieta não iria resolver seus problemas. Melhor seria olhar a bagunça que estava ali dentro do carro, se mexer pra tentar arrumá-la, seguindo sua viagem.