terça-feira, 22 de junho de 2010

Grande Amor


Dessa vez era verdade, ela estava amando. E descobriu seu amor assim aos poucos. E era por isso que sempre sofreu tanto. Porque antes achava que estava amando algo, enquanto na verdade seus amores eram muitos. Sua vida cheia de tarefas e de tantas pessoas. E no meio de tanta coisa ela amava intensamente seus momentos de êxtase, que poderiam ser quaisquer, mas muito especiais, fortes e duradouros em seus brevíssimos instantes.
Amava aquela figura projetada macia na parede, o recado inesperado, a cor cintilante cheirando rosas, o doce som da voz daquela pessoa, o gosto de chocolate, um toque apenas, o olhar de relance, olhares com aromas diversos, a brisa cheirando flor que se abre à noite quando estava indo, e música que embalava seus movimentos tão seus em meio a outros, e ao vir depois, mesmo certas dorzinhas, ela amava. E queria mais disso tudo de novo. Porque nisto estava sua razão de viver. E então viveria fazendo coisas “maiores” que gostava também, mas o que amava de verdade, eram os detalhes. Estava feliz, e calma, mas angustiada e nervosa. O que sobressairia dependeria de seus momentos, mas ela era isso tudo de uma vez só, e sentia tudo misturado, de modo que perdia-se em si mesma e já não podia se encontrar.

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