terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mais um ciclo

Vem e em mim enxerga
As caladas palavras
Quero amar-te como jamais pude
De tanto querer, deixar-te-ei
Porque se a mim não te entregas por total
Então ter-te já não posso
Pudera fosse mimo
Mas é meu desejo não contido
De por completo possuir-te
Em meus braços ter...
Acalmar tuas angústias e sofrimentos
Deitar ao teu lado sentindo o silêncio
Ou dizendo mudas palavras surdas
Ouvir teu sangue pulsando
Viajar a fundo em teus olhares
Buscar nossos sonhos que se vão
Em meio ao caos diário
Perdidos no tempo e no espaço
Pertencentes apenas a ti e a mim
Pois, bem, é esse meu querer
Que não se satisfaz
Deixando-me à beira da loucura
Querendo abandonar
Por tanta sede de amar
Obsessivamente
Como sou
E gostaria que fosses
De tanta imperfeição
Busquei a perfeição
Jamais encontrada
Mais avulsa que eu
Quando junto a ti
Não me entendas jamais
Para não sofrer mais que sofri
Outrora não por ti...
Entendo a angústia
Mas sei, da tua vida
Devo partir...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entrega

Novamente, eis me aqui
Pela décima vez
Morro só
Lentamente
Deliciando teus lábios
Enquanto meu sangue
Percorre o caminho
De radial ao inferno
Na loucura de por ti
Que se poderia ter
Sofrer na mais bela morte

Na volúpia dos meus olhos
Que se fez por ti
Agora apenas a escuridão
Tendo-te negado por não ter
Sua alma por completo
Queria te-la bebido
E sugado tua vida
Para que fosse junto a minha
Unir-se ao fluido vermelho
Que se esvai de mim
E se me negou tua entrega
Que é o fim de todos
Entrego-me tão somente
Ao nada
Onde nem a niguém
Não espero-te

Ciclos, se repetem
Tudo, da mesma forma
Exceto a dor
E o êxtase, de morrer
Devo livrar-me, das promessas
Dos desejos e medos
Sendo assim, feliz

Não me tiveres, porque não quisestes
Já não posso mais suportar
Que ressoam ao longe
Os gritos em mim
E de lá me chamam
Querendo resgatar-me
No qual em algum momento
Naufraguei, oceano negro
Seja lá qual for
é agora que me realizo
sem pedir que me compreendas
nem que me ames

Dei-lhe minhas mãos
Quisestes atá-las longe de ti
Já não sofro
Que compus por magia
Apenas ouço a canção
Em meus nada lúcidos pensamentos
E se as cores desbotam
O sangue ainda está vivo
Que acelera tentando resgatá-lo
Serpenteando para longe de meu coração
Deixe que vá
Com ele, minhas loucas lágrimas
Tão puras quanto imundas

Pela última vez,
Limpo-me do amor
Despida do encanto que poderia revesti-lo
Que busquei em teu olhar
Em busca da paz
Mas que só posso encontrar
Na doçura de meu próprio corpo
Pálido e frio
À beira do leito
Perdendo o mundo
E ganhando sua própria vida
No encanto de adormecer.