Nas desventuras dos caminhos percorridos, amamos. E pode ser
um amor dirigido à pessoa errada, em momento e local inapropriados. É
impossível saber distinguir entre certo e errado quando se ama. Talvez seja por
isso que simplesmente acabamos nos dando conta, no fim, do desgaste a que nos
submetemos em troca de alguns momentos de felicidade. Se a tristeza dos meios e
fins supera a felicidade do início, é algo a se refletir. Pois somente quando
alegria e tristeza desencadeadas por um amor se vão, é que se consegue refletir
melhor a dinâmica dos dias amados, bem ou mal. Certamente não há relevância
nenhuma em se fazer considerações sobre isso. Mas uma alma cansada e aflita
pensa muito no passado, no presente e no futuro. Se otimista, considera que há
alguém por aí que um dia encontrará seus olhos perdidos e os colocarão num mar
alvoroçado da paixão. Se pessimista, considera que não há ninguém bom o
bastante para conseguir fazê-la se perder novamente. Se realista, considera as
possibilidades, de acordo com o tempo, pois talvez um período de solidão,
seguido por uma nova entrega.
Nada é tão ruim que não possa ser superado. Saímos da
condição de medo da tristeza para a de desejo de ser feliz. E este sim nos guia
rumo a um futuro otimista. E é nesse futuro que pretendo chegar. Quando meus
fantasmas do passado não me assombram e nada além de lembranças de um amor
restam. Sentimentos feridos não deixam a felicidade nos tomar. Com angústia e
dor, quem pode ser feliz? Por isso é preciso superar. Manter a integridade do
eu, entrar em harmonia com si próprio. Sentir a brisa no rosto, a água quente
molhando o corpo, o gosto doce de chocolate, uma companhia amiga, o suor
escorrendo após dançar. Tudo faz parte da completude do “eu”. Nada é puramente
sensação ou racionalização. É do equilíbrio desses elementos que se pode sair
da condição de servo para a de senhor de si mesmo. De dono da própria
felicidade. E depende-se dos outros para isso, como se depende de todo o resto
para viver. Mas é o ser no conjunto que dita os rumos de sua vida. Caso
contrário, tem-se uma existência miserável e limitada, em que o sentimento de
pena de si próprio torna-o escravo de sua própria situação, impedindo-o de
sentir a vida pulsátil e a vibração das energias positivas.