quarta-feira, 2 de junho de 2010

Encanto da Rosa


Todos os dias ele vinha regar suas flores. Não que fosse um jardineiro dedicado, mas simplesmente porque queria vê-las, sentir seus aromas e claro, falar-lhes um pouco. Podia ser um pouco solitário, daquele tipo que se isola na multidão, mas que pode perfeitamente socializar quando quisesse. Não que fosse chato também, mas para alguns talvez. Quem o conhecia sabia de suas grandes qualidades, apesar de que um de seus defeitos era ser individualista e deixar isso bem claro por vezes diversas. Não era lindo, do tipo que todas caem-lhe aos pés, mas tinha algo.
Alguma coisa em si o fazia deveras especial para uma de suas rosas. Talvez o jeito como a admirava, talvez seu toque macio, sua fala grave, seu cheiro tão seu, sua perspicácia. Havia inúmeras razões possíveis pelas quais ela nutria imensa admiração e encanto por ele, sejam quais forem as ignorava por completo, e assim só sabia esperar o momento em que ele viesse.
Tentava o impressionar de diferentes formas. Era uma rosa linda e cobiçada. Parecia que tudo o que tentava para chamar a atenção dele, atraia os olhares de quem passava lá fora e a via no jardim. E os olhos buscavam-na, queriam arrancá-la da terra, tomar posse, já que não havia ninguém por perto. Ela se sentia tão dele, mas não conseguia evitar os demais. Gostava sim de chamar atenção, de ser vista, de virem sentir-lhe o cheiro e admirar suas pétalas. Mas jamais esquecia dele, apesar de que na sua ausência não poderia deixar de ser simplesmente, rosa. Era um dilema terrível, e ao mesmo tempo bom. Queria deixar de ser coisa e passar a ser dona, dona dele. Mas era uma rosinha tímida no seu canto, que não iria fazer nada, a não ser esperar ele vir regá-la e contar-lhe coisas, muitas das quais dizia para que todas as demais rosas ouvissem também.
Para ele eram todas flores de formatos e cores diferentes. Sabia o nome de algumas. Umas lhe pareciam mais belas, tanto que sua vontade era pegar-lhes pelas hastes e levar consigo. A pequena rosa vermelha se destacava entre as demais. Sentia-se a vontade estando perto dela. E por isso vinha, todos os dias. Não por ela, que não era mais especial do que as outras. Era simplesmente rosa e gostava dela, como das demais.
Ela queria ser especial. E queria que ele fizesse um jardim só para ela. Que a admirasse a sós, longe das demais e dos olhares alheios. Se assim fosse, prometeria ficar quieta. Seria difícil, mas tentaria em nome do amor que sentia.

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