quarta-feira, 16 de maio de 2012

Aprendendo


Nas desventuras dos caminhos percorridos, amamos. E pode ser um amor dirigido à pessoa errada, em momento e local inapropriados. É impossível saber distinguir entre certo e errado quando se ama. Talvez seja por isso que simplesmente acabamos nos dando conta, no fim, do desgaste a que nos submetemos em troca de alguns momentos de felicidade. Se a tristeza dos meios e fins supera a felicidade do início, é algo a se refletir. Pois somente quando alegria e tristeza desencadeadas por um amor se vão, é que se consegue refletir melhor a dinâmica dos dias amados, bem ou mal. Certamente não há relevância nenhuma em se fazer considerações sobre isso. Mas uma alma cansada e aflita pensa muito no passado, no presente e no futuro. Se otimista, considera que há alguém por aí que um dia encontrará seus olhos perdidos e os colocarão num mar alvoroçado da paixão. Se pessimista, considera que não há ninguém bom o bastante para conseguir fazê-la se perder novamente. Se realista, considera as possibilidades, de acordo com o tempo, pois talvez um período de solidão, seguido por uma nova entrega.
Nada é tão ruim que não possa ser superado. Saímos da condição de medo da tristeza para a de desejo de ser feliz. E este sim nos guia rumo a um futuro otimista. E é nesse futuro que pretendo chegar. Quando meus fantasmas do passado não me assombram e nada além de lembranças de um amor restam. Sentimentos feridos não deixam a felicidade nos tomar. Com angústia e dor, quem pode ser feliz? Por isso é preciso superar. Manter a integridade do eu, entrar em harmonia com si próprio. Sentir a brisa no rosto, a água quente molhando o corpo, o gosto doce de chocolate, uma companhia amiga, o suor escorrendo após dançar. Tudo faz parte da completude do “eu”. Nada é puramente sensação ou racionalização. É do equilíbrio desses elementos que se pode sair da condição de servo para a de senhor de si mesmo. De dono da própria felicidade. E depende-se dos outros para isso, como se depende de todo o resto para viver. Mas é o ser no conjunto que dita os rumos de sua vida. Caso contrário, tem-se uma existência miserável e limitada, em que o sentimento de pena de si próprio torna-o escravo de sua própria situação, impedindo-o de sentir a vida pulsátil e a vibração das energias positivas.

6 comentários:

  1. Entraria num período de reclusão seguido por uma nova entrega? Se pessimista, prefere encontrar-se a se entregar ao labirinto infindável da vida? Como nada é tão ruim que não possa ser superado, porque o pudor frente às aflições da vida? A integridade do "eu" é um mosaico formado pela junção do "nós". O que seria do rosto se não fosse a brisa para refrescá-lo? A água quente sem um corpo frio pedindo por calor? O chocolate sem o senso apurado do paladar? Uma companhia sem um ombro amigo para desfrutar? E a dança sem a harmonia doutro corpo a acompanhá-la se derramando em mananciais de suores prazerosos? A completude do "eu" somente atinge sua plenitude quando acompanhada do "nós", de mãos dadas na travessia dessa longa e prazerosa caminhada que se chama vida.

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  2. Uau! Você escreve de maneira muito bela. Percebe-se que você se entrega às palavras com prazer e muito sentimento. Parece que sua história de amor, se é que existiu uma, foi muito bonita.
    Parabéns

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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