quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Poeta


Ele era o que tinha de ser.
Seus pensamentos voavam soltos ao ar.
Era um poeta que não escrevia poesias,
apenas porque não sabia rimar.
E por mais palavras belas que lhe vinham,
colocá-las no papel não ousava.
Não de qualquer jeito.
Algo faltava,
mas sentia que não era tão vazio assim.
Talvez não tinha o dom
de conjugar o verbo amar, e dessa forma seus poemas fazer rimar.
Tarefa árdua a qual não se dedicava.
Com seus fantasmas e suas desilusões ficava.
Dia após dia esperando,
a caminhar pelas curvas,
rumo ao seu próprio coração.
E lá estava ele ensimesmado novamente.
Numa cortina de nuvem cinza. Não que ele fumasse, mas estava no meio dela. E não podia enxergar ninguém, nem a si mesmo.
Tão ébrio, por mais que não pusesse uma gota de álcool ou outra substância em sua boca. E seu mundo girava, as coisas passavam. Mas onde? Não estava vendo. Talvez estivesse perdido em uma dessas andanças pelo seu sombrio interior.
Melhor seria sair dali.
Mas pra fazer isso só se morresse,
afinal não poderia livrar-se de si.
E nem sonhar podia, tão perturbado com seus pesadelos,
espectros de medo, chicoteando-lhe a face.
Ajoelha-se, não pra pedir perdão, mas porque já não consegue de pé manter-se.
Não pode voltar,
nem ir,
nem parar.
Poderia na sua nuvem sumir?
A uma outra dimensão sublimar?
Definitivamente não.
Precisava sim levantar...
a caneta, e algo no papel colocar.
Deveria, desse modo, da escravidão de si libertar.
Aceitar-se com fracassos ou vitórias,
rimas pobres ou ricas.
E assim escreveu:
Jamais derrama lágrima
Ama a luz em ti
O suor agora queima
A face que parti
Sem importar-se com as palavras em si, mas com seu conteúdo e suas relações semânticas, deixou sua mensagem a quem quisesse ler, ouvir ou ver em seus olhos, mais que nos próprios versos deitados ao papel...pois agora estava liberto.

Um comentário:

  1. "Talvez não tinha o dom
    de conjugar o verbo amar, e dessa forma seus poemas fazer rimar."

    Simplismente adorável.......

    Bjo linda

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